29 Julho, 2008

Pelos Meus 30 Anos


"O pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos". Essa segurança de quem pousa no ninho de Deus, Deus é meu pouso. Boa parte da razão pelo qual a estrada se torna insuportável, é porque a gente vive fantasiando, e criando e projetando, e imaginando e elocubrando coisas e cenários e situações que não são reais. E a gente faz sempre isso para o lado de fora, a vida só nos é boa se ela for pintada com um cenário exterior que nos agrade. E quando isso acontece na maioria das vezes, a gente vem a descobrir que o mundo pode estar pintado de paraísos, se você não carregar no peito o caminho da vida, tudo vai perecer e desvanecer diante de você. O coração encontra significado no caminho quando ele diz para si mesmo:"Eu não tenho bem nenhum senão a Ti Senhor. Tu és meu pouso". Quando Deus é meu pouso, quando Nele eu tenho meu tesouro, o meu refugio, o meu ninho, o meu agasalho, aí nada me faltará. Quando eu acho que as coisas que me faltam, me precisam ser dadas para que eu me sinta satisfeito, eu posso ter todas as coisas e jamais estarei satisfeito. No entanto, no dia em que meu coração estiver enternecido por Deus e que todo meu sentido de segurança, de agasalho, de carinho, de conforto, de aconchego estiver Nele, não importa qual seja a estrada, vai virar um caminho de vida.

Aí você começa a descobrir que seu coração vai melhorando, que a sua visão vai ficando mais clara, que o que tem valor salta, que o que não tem valor fenece. Aí você começa a descobrir que você não precisa de nada além de um ninho, e que esse ninho está em Deus. Suas inseguranças vão diminuindo, os lugares estranhos vão ficando diferentes. Até aquilo que você abomina, na hora que o caminho muda dentro de você, a estrada fica diferente fora de você. Até aquilo que antes lhe parecia completamente intolerável e insuportável, perde o significado de intolerabilidade. Quando o caminho mudou em ti e você pela fé pisou com atitude de gratidão e de contentamento no chão para ver que o caminho esta sendo feito pela gratidão e nem a estrada ruim resiste a chegada desse novo caminho. Agora isto acontece com Jesus enquanto a gente vive. Para que isso aconteça, você não pode ter medo de viver, você vai ter que viver! E viver pela fé, e viver desassombradamente e viver como quem contabiliza todas as coisas como lucro. Lucro. Tudo é lucro no caminho, meu querido.

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Uma paráfrase que sintetiza meu viver no dia de hoje, quando chego à casa das 3 décadas.

19 Julho, 2008

Vende-se tudo

Recebi o texto abaixo de um amigo por email e sem autor, não sei quem é, mas gostei...
bjão,
Daniel

A manchete da Veja era um soco no estômago. Batia forte em algumas pessoas e de algum modo em todos nós. O texto que seguia a manchete exigia pensar, colocar-se o leitor, a leitora, na posição, no lugar de quem tratava a reportagem. A manchete era esta: "Famílias Ricas Vendem Quase Tudo". Contava do acúmulo de bens, jóias, móveis caros, tapetes, quadros, cavalos, de tudo, objetos que pessoas ricas um dia compraram com avidez e num outro, nos alongados da vida, venderam por não ver mais nesses bens qualquer utilidade. Deve ser dolorido para alguém vender seus bens mais caros, objetos de longo tempo de convívio e apreço. Desfazer-se deles porque a vida se adianta para o fim. Deve ser duro, tristíssimo.

Mas eu me pergunto e passo a pergunta à leitora: não houve nesses casos uma formidável estupidez, uma cegueira que levou e leva pessoas a acumular bens de todo tipo e que deles não vão precisar no futuro ou talvez deles nunca tenham precisado? Por que não uma única e bonita jóia, um anel, um colar, o que for, mas um só, por que não? Por que a cupidez de comprar e comprar, de pendurar bobagens nas paredes, de encher caixas de jóias ou animais no pasto?

Por que encher uma fazenda de cavalos caros? Para quê? A resposta é uma só: por exibicionismo, para mostrar aos outros, para aparecer nos jornais, para aplacar o enorme vazio de sentido para a vida. Estupidez rematada. Muitos homens, pobres de cabeça, tem vários carros caríssimos na garagem, para quê? Essas pessoas de grande avidez por jóias, objetos de arte, cavalos, tolices, enfim, de todo tipo, na verdade sempre foram pessoas vazias. E essas pessoas são as que sofrem mais na velhice e mais ainda quando a "famigerada" lhes começa a rondar a porta da cozinha...

O vender os bens significa, nesses casos e momentos, uma espécie de limpeza das gavetas da vida, há pouco a esperar, não há mais ilusões... Alguém me pode dizer que tudo valeu a pena no passado, e se valeu, valeu. Penso que não, penso que o melhor é ter o suficiente, poucas coisas, boas coisas, não mais. Ir gastando e jogando fora, sem acúmulos neuróticos nem vendas futuras com sabor de despedida. Os sábios sempre tiveram razão, melhor de tudo é dar de ombros, viver no desapego e respirar com prazer o ar do hoje, o único que nos está garantido. É triste olhar para a foto de uma rica e famosa senhora brasileira que está vendendo todas as suas preciosidades de muitos anos, e sentir que a vida dela girou em torno daquelas inutilidades. E ela sabe disso.

10 Julho, 2008

Alma Sobrevivente - Bienvenida

O título acima é de um livro de Philip Yancey, que gostei muitíssimo. Nele, Yancey compartilha momentos de sua trajetória cristã. Especialmente, quando compartilha como sua fé permaneceu por que apesar da “igreja”, muitas pessoas impactaram sua vida com suas próprias vidas.

Lendo-o, pensei em minha vida quais pessoas impactaram-me de forma marcante. Lembrei de algumas que cultivavam lindas flores no jardim só para presentearem os outros; outras que pessoas esperavam o ano todo para ajudarem na Sopa de Mocotó; tinham aquelas que gostavam muito de interceder pelos outros, mas sem poderes ou barganhas – apenas porque amavam; e ainda tinham aquelas que alegravam-se com as alegrias dos outros, desde boletim de escola à livramentos. Contudo, dentre os queridos que me vieram à mente, existe uma pessoa que creio que ela mesma sequer imagina o tamanho do impacto que causou à minha fé – e no caminho que tenho feito hoje, tenho voltado a estas raízes e estas pessoas simples, mas cheias do Evangelho.

Estou falando de uma senhora chamada Bienvenida. De origem paraguaia, casada com um brasileiro e que mora no interior do Rio Grande do Sul. E como ela mesma dizia, “uma baixinha espavitada de Jesus”. Esta discípula, ensinou-me muito sobre o Evangelho através de seu amor pelas pessoas. Ela tinha alguns dons, e um que fazia-se evidente era o de ajuda e serviço.

Toda sexta-feira, durante o frio intenso do inverno gaúcho, ela coordenava um sopão. Os ingredientes eram oriundos de doações que ela coletava em supermercados da cidade – verduras boas mas com pequenos danos. Tirávamos qualquer “machucado” das verduras e fazia uma sopa de-li-ci-o-sa! (era boa de verdade, pois eu nunca resisti ficar sem comê-la). Depois de feitas umas 2 ou 3 panelas enormes, levávamos o sopão de kombi para um bairro bem carente onde havia um trabalho missionário com crianças, uma espécie de creche. Essa missão convidava a todos, crianças, famílias e quem quisesse para buscar sua porção. Junto da sopa, distribuíamos pães torrados que os mercados também doavam, pães “amanhecidos” e que não serviam mais para a venda. Nestas idas, ainda levávamos roupas arrecadas pela Bienvenida que algumas pessoas doavam para essa comunidade. Ah e também iam junto alguns potes com uma geléia bem gostosa (idéia e “braços”dela), também produzida com frutas muito maduras e com as partes boas, também fruto de doações.

Além disto, ela sempre tinha outros projetos sociais como ensinar espanhol pra quem precisasse ou fazer meias de lã com retalhos para aquecer os pés de quem não tinha condições de comprar meias, e que morava naquele lugar que tem um inverno muito intenso.

Se não bastasse o atendimento social não só aquela comunidade como às pessoas que a procuravam, a Bienvenida constrangia-me pessoalmente com seu carinho e cuidado. Naquela época, como estudante de teologia, quando a visitávamos ela arrumava o sofá com travesseiros e cobertores, colocava um filme e ia para a cozinha preparar um suco gostoso e uma comida temperada e maravilhosa. Sabe quando você sente como se fosse alguém realmente muito importante em um lugar? É assim que me sentia quando a visitava.

Era a irmã Bienvenida quem supria os estudantes de teologia em suas necessidades, pois ela percebera que a grande maioria tinha de parar de trabalhar por causa do curso diurno. Ela lutou junto a igreja local para que houvesse uma verba mensal destinada especificamente para comprar mantimentos aos estudantes. Ela conseguiu. Então, nós fazíamos uma pequena lista do que estávamos precisando – ela comprava tudo o que lá continha, e do bom e melhor. Nunca esquecerei de um dia quando estava estudando e vivia um momento de dificuldade financeira, sem dinheiro pra comprar sequer os ingredientes do café da manhã. O que fazer? orei e coloquei diante de Deus. Quando sai de meu quarto em direção ao armário de correspondências, a surpresa: lá estava uma sacola com pão, leite, café e algo pra passar no pão. Foi uma experiência com Deus inesquecível, e a Bienvenida nem sabe disto!

Lembro dela à caráter cantando em português, espanhol e guarani: “Só o poder de Deus, pode mudar teu ser. A prova que eu te dou, é que mudou o meu...” Apesar de não ter uma saúde de ferro para empreender tantas e diferentes frentes e sentir dores fortes nas mãos, não via-se ela se queixando da vida. Pouco tempo depois, ela teve inclusive de passar por uma delicada cirurgia, que não tirou-lhe o amor e atenção para com o próximo.

Como a Bienvenida, existe muitos filhos da graça que vivem o Evangelho “por detrás dos holofotes e das cortinas”. Eles não precisam de cargos, lugares ou câmeras – O Caminho, A Verdade e A Vida os acompanha, e isso é mais que suficiente.

Jesus sabia a dimensão de suas palavras quando afirmou que aqueles que desprezam os primeiros lugares acham a vida. Os últimos lugares permitem a vida de aflorar primeiro, pois não estão preocupados com sua posição.

Naquele que conhece o coração,
Daniel Bedhung

06 Julho, 2008

A Mensagem Secreta... I

Fragmentos do livro A Mensagem Secreta de Jesus – Brian D. McLaren


Quando comenta o que muitos chamam de grande comissão (Mateus 28.19,20; Marcos 16.15; Lucas 24.49 e Atos 1.8; João 20.21):

“vocês não podem guardar o segredo do Reino para si mesmos. Estou agora enviando vocês, assim como o Pai me enviou, para que transmitam as boas noticias do Reino de Deus. Aqueles que receberem sua mensagem devem ser integrados em comunidades de aprendizes formadas por discípulos praticantes, de modo que possam aprender a viver de acordo com a minha mensagem secreta, da mesma forma como vocês estão aprendendo. Não devem fazer isso em sua própria capacidade, mas precisa confiar no poder do Espírito Santo. E não devem parar nas fronteiras de sua própria cultura, língua ou religião, mas precisam no entanto cruzar todas as fronteiras e todos os limites a fim de compartilhar com todos os povos em toda parte o segredo que aprenderam de mim – o caminho, a verdade e a vida que experimentaram caminhando comigo.”