23 Junho, 2008

Desejos - Vitor Hugo (1805-1885)

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer. E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes,você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente. E que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer. E que sendo velho, não se dedique ao desespero.Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra , com o máximo de urgência, acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal. Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga `Isso é meu`, só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem, tenha uma boa mulher, e que sendo mulher,tenha um bom homem. E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a te desejar.

13 Junho, 2008

Nos EUA, montanhista sacrifica-se para salvar mulher e amigo.

Do G1

O trio escalava o monte Rainier, em Seattle, na terça-feira (10) e foi surpreendido por uma tempestade. Quando ficou claro que não conseguiriam voltar ao acampamento-base em Camp Muir por causa da neve, eles cavaram uma trincheira com as próprias mãos. O romeno Eduard Burceag, de 31 anos, ficou deitado na neve enquanto sua mulher e o amigo ficavam em cima. Mais tarde, quando eles pediram a Burceag para trocar de lugar, ele recusou e disse que estava bem. "Fazendo isso, ele provavelmente salvou as vidas dos outros", disse um porta-voz do parque.
Mariana Burceag, de 31 anos, e Daniel Vlad, de 34, sobreviveram à tempestade.
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O amor pode ser bastante comercial- o exemplo clássico é o "comercial" Dia dos Namorados.
Contudo, um grande amor se prova na adversidade. Há tempos venho pensando nesse amor...porque só ele pode desde encobrir uma multidão de pecados a dar a própria vida por alguém.
Amor é escolha. Amor é doar-se. Por amor, se vai além....
É preciso amar, como se não houvesse amanhã.
Naquele que amou o mundo,
Angela

12 Junho, 2008

Se eu fosse um padre - Mário Quintana


Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma...
e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

07 Junho, 2008

Texto bom, mas não sei de quem...

Vende-se tudo

A manchete da Veja era um soco no estômago. Batia forte em algumas pessoas e de algum modo em todos nós. O texto que seguia a manchete exigia pensar, colocar-se o leitor, a leitora, na posição, no lugar de quem tratava a reportagem. A manchete era esta: "Famílias Ricas Vendem Quase Tudo". Contava do acúmulo de bens, jóias, móveis caros, tapetes, quadros, cavalos, de tudo, objetos que pessoas ricas um dia compraram com avidez e num outro, nos alongados da vida, venderam por não ver mais nesses bens qualquer utilidade.
Deve ser dolorido para alguém vender seus bens mais caros, objetos de longo tempo de convívio e apreço. Desfazer-se deles porque a vida se adianta para o fim. Deve ser duro, tristíssimo.

Mas eu me pergunto e passo a pergunta à leitora: não houve nesses casos uma formidável estupidez, uma cegueira que levou e leva pessoas a acumular bens de todo tipo e que deles não vão precisar no futuro ou talvez deles nunca tenham precisado? Por que não uma única e bonita jóia, um anel, um colar, o que for, mas um só, por que não? Por que a cupidez de comprar e comprar, de pendurar bobagens nas paredes, de encher caixas de jóias ou animais no pasto?
Por que encher uma fazenda de cavalos caros? Para quê?
A resposta é uma só: por exibicionismo, para mostrar aos outros, para aparecer nos jornais, para aplacar o enorme vazio de sentido para a vida. Estupidez rematada. Muitos homens, pobres de cabeça, tem vários carros caríssimos na garagem, para quê? Essas pessoas de grande avidez por jóias, objetos de arte, cavalos, tolices, enfim, de todo tipo, na verdade sempre foram pessoas vazias. E essas pessoas são as que sofrem mais na velhice e mais ainda quando a "famigerada" lhes começa a rondar a porta da cozinha...

O vender os bens significa, nesses casos e momentos, uma espécie de limpeza das gavetas da vida, há pouco a esperar, não há mais ilusões...
Alguém me pode dizer que tudo valeu a pena no passado, e se valeu, valeu. Penso que não, penso que o melhor é ter o suficiente, poucas coisas, boas coisas, não mais. Ir gastando e jogando fora, sem acúmulos neuróticos nem vendas futuras com sabor de despedida. Os sábios sempre tiveram razão, melhor de tudo é dar de ombros, viver no desapego e respirar com prazer o ar do hoje, o único que nos está garantido.
É triste olhar para a foto de uma rica e famosa senhora brasileira que está vendendo todas as suas preciosidades de muitos anos, e sentir que a vida dela girou em torno daquelas inutilidades. E ela sabe disso.