Há tempos ( e muitos!) penso sobre os conceitos acima citados.
Em especial, a santidade dos acampamentos (não a da Bíblia), sempre me foi uma ditadora, uma déspota. Essa “senhora” que sempre exigiu-me demonstrações de que era ela quem realmente “mandava”. E apesar de ser severa, quando o conjunto de evidências não apontava para sua presença no check list ... que culpa carnívora devorava o coração!
Em contrapartida, o amor incondicional (esse da Bíblia), parecia-me não condizer perfeitamente com os ditames daquela senhora. Aquela, era mensurável no conjunto de podes-e-não-podes (nunca falados, mas subjetivamente pregados). Já o amor, um sentimento, uma pulsão de querer bem sem olhar a quem, como medir? Esse amor é como amar apenas o pecador arrependido que vai à frente no apelo?
Foram questões que nunca compreendi perfeitamente. Então absorvi que a primeira era dos homens para Deus e a segunda de Deus para os homens. Por isso o sacrifício na santidade, e a aceitação do pecador – aceito por Deus.
E nestas idas e vindas da vida, permeadas pelas voltas que o mundo dá, percebi algumas nítidas diferenças entre a santidade sacrificial e o amor incondicional Nem todas são tema de nossas conversas na comunhão, mas muitas estão nas entrelinhas das opiniões...
A santidade sacrificial...
...faz o individuo perceber-se como homem meritório das bênçãos de Deus, porque ele paga o preço.
... faz as orações chegarem mais rápido até Deus, porque eles estão limpos diante de Dele.
... torna o ser espiritual, porque sem ser santo isto é impossível.
... o habilita a expulsão de demônios, porque o diabo não terá nada para “jogar na cara”.
... dá “discernimentos” da vida do próximo e o que fazer com ele diante de tais constatações, porque a vida do santo é reta diante de Deus e Ele mesmo autoriza.
... faz com que nada o abata, porque a sua santidade o leva a intimidade com Deus como um guerreiro que não pode esmorecer.
... o impossibilita de andar e/ou estar com certas pessoas com o veredicto de “pecadoras”, exceto com o intuito de evangelizá-las ou fazê-las voltar – porque ele vive o Salmo 1:1
... o impede de ir a certos lugares, porque ele dá testemunho de sua santidade.
... pode tornar ( e quase sempre torna) o indivíduo arrogante, hipócrita e intolerante ( e essas coisas ninguém admite), porque ele se enxerga como mais valoroso que os outros, aprende a esconder suas falhas e fingir que não as tem, e dificilmente aceita aqueles que não se enquadram em seu esquema de vida.
Já o amor incondicional...
... mostra ao indivíduo que tal não é merecedor de nada , porque se não fosse pelo Amor de Deus, ele seria consumido.
... faz suas orações brotarem do coração e da compaixão, porque ele vê todos como iguais.
... torna o ser espiritual, porque todos são no sentido real, sem pejorativismos.
... o habilita a expulsão de demônios, porque segundo Jesus algumas poucas palavras bastam quando o diabo não resiste à força do Amor.
... não dá discernimentos da vida alheia, porque ele sabe que o templo neotestamentário é o coração humano, solo sagrado, que só Deus conhece.
...imerge o indivíduo em sua humanidade como pecador/ gente (como Paulo diria, “o maior”) e que vive na Graça de Deus , mas que nem por isso esconde suas aflições, dores e maus sentimentos.
...conforme o exemplo “Daquele que andava, comia e bebia com pecadores”, não faz acepção de pessoas ou dos lugares em que elas estão. Ele vive no mundo relacionando-se com todos e as vezes ele tem surtos de obediência a Voz do Amor.
... torna o indivíduo simples, pacificado e semeador da bondade. Porque quem ama incondicionalmente não precisa fazer médias ou agradar ninguém, pois ele sabe que Deus já agradou-se dele.
A diferença entre a santidade sacrificial e o amor incondicional, particularmente creio residir resumidamente nestas linhas. Pelo menos, foram estas as diferenças que percebi em mim mesma.
E quando percebi isso me entristeci, envergonhei-me por mim e senti o gosto amargo “das mesmas medidas que usares...”
Mas a Graça me alcançou – e a gente começa um novo caminho. De novo.
Ah, e a santidade que Jesus propõe é outra. Mas esse é um assunto para uma próxima conversa...
Naquele que foi chamado beberrão e glutão por amor,
Angela
27 Fevereiro, 2008
22 Fevereiro, 2008
Receita para o Pentecostes ?
ESPÍRITO SANTO
Pergunta:"Estou há quatro anos na igreja, sou batizada nas águas mas ainda não tenho o Espírito Santo. O que preciso fazer para receber essa bênção?"
Ajude-me, por favor.
Amiga, Por e-mail
Resposta: "Amiga, A coisa mais preciosa na vida de uma pessoa que quer, de fato, conhecer a Deus é o Espírito Santo. Por isso é necessário o seu sacrifício espiritual, ou seja, buscar na madrugada em oração, jejuar e analisar se há mágoa ou ressentimento em seu coração. Tenha uma vida reta diante de Deus, freqüentando as reuniões de quarta e domingo na busca por esse encontro de todo o seu coração. Deus verá sua entrega total e dará a você este bem mais precioso, que é o Espírito Santo. Deus a abençoe"
Fonte: Folha universal Online, Edição nº828 – 22.02.08
http://folha.arcauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=9988&cod=128038&edicao=828
Carta Respondida pelo Bispo Romualdo Panceiro – Rio de Janeiro/RJ
“ Quanto a vocês, peritos na lei”, disse Jesus, “ai de vocês também! Porque sobrecarregam os homens com fardos que dificilmente eles podem carregar, e vocês mesmos não levantam nem um dedo para ajudá-los” Lucas 11:46
Este é o nosso mundo...
Pergunta:"Estou há quatro anos na igreja, sou batizada nas águas mas ainda não tenho o Espírito Santo. O que preciso fazer para receber essa bênção?"
Ajude-me, por favor.
Amiga, Por e-mail
Resposta: "Amiga, A coisa mais preciosa na vida de uma pessoa que quer, de fato, conhecer a Deus é o Espírito Santo. Por isso é necessário o seu sacrifício espiritual, ou seja, buscar na madrugada em oração, jejuar e analisar se há mágoa ou ressentimento em seu coração. Tenha uma vida reta diante de Deus, freqüentando as reuniões de quarta e domingo na busca por esse encontro de todo o seu coração. Deus verá sua entrega total e dará a você este bem mais precioso, que é o Espírito Santo. Deus a abençoe"
Fonte: Folha universal Online, Edição nº828 – 22.02.08
http://folha.arcauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=9988&cod=128038&edicao=828
Carta Respondida pelo Bispo Romualdo Panceiro – Rio de Janeiro/RJ
“ Quanto a vocês, peritos na lei”, disse Jesus, “ai de vocês também! Porque sobrecarregam os homens com fardos que dificilmente eles podem carregar, e vocês mesmos não levantam nem um dedo para ajudá-los” Lucas 11:46
Este é o nosso mundo...
18 Fevereiro, 2008
Esquina
Também por Ricardo Gondim - alguém cujas idéias suscitam questionamentos.
Videntes, profetas, heróis, magos e sacerdotes conseguiram solucionar enigmas, burlar paradoxos divinos, ler sinais nas estrelas, fazer escolhas jogando sorte. Eu não alcanço nenhuma proeza semelhante. Tentei conciliar o desenrolar da história com os meus pressupostos conceituais (teológicos e filosóficos) e acabei como o mendigo que não sabe o que fazer com o cobertor curto – quando cobre a cabeça, congela os pés e quando puxa para baixo, bate o queixo de frio.
Não consigo atenuar minha aflição com a história. Tentei contar apenas os negros degredados para as Américas; quando cheguei nos milhões, desisti. Sequer encontrei argumentos em minhas hipóteses intuitivas e argumentações metafóricas para as hecatombes que marcaram a marcha do “progresso da humanidade". Os massacres do século XX, que dizimaram armênios, russos, poloneses, judeus, homossexuais, testemunhas-de-jeová e ainda ontem, os tútsis ruandeses, são exagerados. A gratuidade do mal não tem explicação.
Não pretendo articular um discurso ou uma doutrina que responda a tudo. Pretendo simplesmente encontrar um jeito de viver a fé diante do sofrimento descomedido que persiste em dois terços da humanidade. Procuro engatilhar esta geração para que pergunte: “Por que o continente africano foi condenado à miséria?”. “A degradação ambiental vai durar até quando?”. “Não vai surgir nenhum poder que regule as relações comerciais assimétricas que privilegiam os impérios enquanto geram pobreza em nações inteiras?”.
Mas eu mesmo me pergunto. Será que alguém pode me ajudar a ler os sinais? Preciso conscientizar-me de que o sol dos tempos já escurece. Os exilados de Darfur, os idosos das megalópoles, os empobrecidos continentais da África, América Latina, Ásia e Oriente Médio, não aguentam esperar pela luz no fim do túnel. No fracasso das ideologias, na ressaca da contra-cultura, no ocidente pós-cristão, o que fazer?
Quero saber, tão somente, se ainda existem ideais que motivem a minha geração a peitar os poderes deste mundo. As forças da maldade continuarão se articulando, gananciosas e mascaradas de humanismo, enquanto muitos se refastelam no banquete do materialismo? Até quando milhões de mulheres continuarão a espremer o peito querendo arrancar uma última gota de leite que pode salvar o filho?
Desisti dos eufemismos que suavizam a percepção de que esta vida se tornou uma tragédia. Já não procuro confeitar as inquietações dos meus olhos com colírios dogmáticos. Se nasci nos porões do Coliseu, ainda não me acostumei com o espetáculo da arena. Se aprendi que tudo foi providencialmente pensado, programado e criado por Deus para se desenrolar como ele queria, procuro outra explicação. Não concebo mais que Deus possa se associar com o ímpio para que todos os eventos históricos se transformem em elos de uma corrente que, lá no fim da história, lhe trará glória.
Respeito os que explicam a colossal desgraça humana com o pecado de Adão - não há como questionar a exegese, a hermenêutica ou a fé dos outros. Entendo o argumento dos niilistas ateus que preferem sepultar o restinho de beleza da humanidade e não explicar porque sofrem os justos – cada um concebe o inferno como quiser. Calo-me diante da resignação dos budistas que negam a realidade da dor – todos vivemos com diferentes níveis de negação (denial). Porém, quando tento vestir essas camisas, elas me apertam com desconforto. Portanto, desisto das meta-narrativas que sobrevivem ao colonialismo; do triunfalismo que resiste em ser enterrado com as ideologias; do ufanismo de religiões que não percebem o ridídulo de suas intolerâncias.
Buscarei nos pequenos gestos e nos encontros despretensiosos o significado mais profundo de minhas ações. Quando leio Vítor Westhelle em “The Scandalous God” - O Deus escandaloso - (ainda sem tradução - Fortress Press, USA), repenso minha escatologia. Resignifico a expectativa do fim escatológico como futuro. Pretendo situar minha esperança não mais numa periferia remota do tempo, mas nas margens, ou confins, geográficos e existenciais.
Para Westhelle, todos os que habitam nesses “confins”, se exilam dos centros – políticos, religiosos e econômicos”. Ele oferece, e eu aceito, uma nova percepção para o Apocalipse. Devemos esperar a manifestação gloriosa de Deus não só no tempo, mas, e principalmente, em lugares e em pessoas onde a epifania – a manifestação total de Deus – não pode sequer ser imaginada. Os desvalidos, as perfiferias pobres, passam a ser lugares privilegiados, onde o “apocalipse se torna real” porque Cristo se faz presente, se manifesta.
A volta de Cristo deixa de ser mais uma utopia porque não há mais um dia futuro em que ele se tornará presente (presença, do latim prae-esse, com o significado preciso para parousia). Jesus advertiu para que não se especule sobre o rompimento da radical ausência divina (do latim ab-esse e no grego apousia, que não pode ser restrita a um sentido cronológico). “Se disserem onde e quando ele vem, não creiam, pois ele vem na estranha imagem de um ladrão à noite (Mateus 24.43). E ele veio como o ladrão executado na mesma cruz; e que carecia de esperança no meio de um dia que virou noite (Marcos 15.33)”. Jesus já está entre nós e ele já pode ser visto; não num relâmpago, mas no rosto de gente pobre, carente, sofredora e indefesa como o ladrão declarado cidadão do paraíso. Assim, meu horizonte utópico permanece como esperança, mas o dia a dia se anima com pequenas ações: dar de comer a quem tem fome, abraçar os que precisam de afeto, advogar a causa dos indefesos e curar os feridos de alma; eles expressam o rosto do Deus sofredor.
Em algum tempo, não sei precisar quando, abandonei o antigo prédio onde organizava idéias – um edifício calafetado, atapetado e seguro. Agora me vejo numa esquina fria, sem saber direito para que lado deva dobrar. Mesmo assim, prefiro esta insegurança, àquela masmorra.
Soli Deo Gloria.
Videntes, profetas, heróis, magos e sacerdotes conseguiram solucionar enigmas, burlar paradoxos divinos, ler sinais nas estrelas, fazer escolhas jogando sorte. Eu não alcanço nenhuma proeza semelhante. Tentei conciliar o desenrolar da história com os meus pressupostos conceituais (teológicos e filosóficos) e acabei como o mendigo que não sabe o que fazer com o cobertor curto – quando cobre a cabeça, congela os pés e quando puxa para baixo, bate o queixo de frio.
Não consigo atenuar minha aflição com a história. Tentei contar apenas os negros degredados para as Américas; quando cheguei nos milhões, desisti. Sequer encontrei argumentos em minhas hipóteses intuitivas e argumentações metafóricas para as hecatombes que marcaram a marcha do “progresso da humanidade". Os massacres do século XX, que dizimaram armênios, russos, poloneses, judeus, homossexuais, testemunhas-de-jeová e ainda ontem, os tútsis ruandeses, são exagerados. A gratuidade do mal não tem explicação.
Não pretendo articular um discurso ou uma doutrina que responda a tudo. Pretendo simplesmente encontrar um jeito de viver a fé diante do sofrimento descomedido que persiste em dois terços da humanidade. Procuro engatilhar esta geração para que pergunte: “Por que o continente africano foi condenado à miséria?”. “A degradação ambiental vai durar até quando?”. “Não vai surgir nenhum poder que regule as relações comerciais assimétricas que privilegiam os impérios enquanto geram pobreza em nações inteiras?”.
Mas eu mesmo me pergunto. Será que alguém pode me ajudar a ler os sinais? Preciso conscientizar-me de que o sol dos tempos já escurece. Os exilados de Darfur, os idosos das megalópoles, os empobrecidos continentais da África, América Latina, Ásia e Oriente Médio, não aguentam esperar pela luz no fim do túnel. No fracasso das ideologias, na ressaca da contra-cultura, no ocidente pós-cristão, o que fazer?
Quero saber, tão somente, se ainda existem ideais que motivem a minha geração a peitar os poderes deste mundo. As forças da maldade continuarão se articulando, gananciosas e mascaradas de humanismo, enquanto muitos se refastelam no banquete do materialismo? Até quando milhões de mulheres continuarão a espremer o peito querendo arrancar uma última gota de leite que pode salvar o filho?
Desisti dos eufemismos que suavizam a percepção de que esta vida se tornou uma tragédia. Já não procuro confeitar as inquietações dos meus olhos com colírios dogmáticos. Se nasci nos porões do Coliseu, ainda não me acostumei com o espetáculo da arena. Se aprendi que tudo foi providencialmente pensado, programado e criado por Deus para se desenrolar como ele queria, procuro outra explicação. Não concebo mais que Deus possa se associar com o ímpio para que todos os eventos históricos se transformem em elos de uma corrente que, lá no fim da história, lhe trará glória.
Respeito os que explicam a colossal desgraça humana com o pecado de Adão - não há como questionar a exegese, a hermenêutica ou a fé dos outros. Entendo o argumento dos niilistas ateus que preferem sepultar o restinho de beleza da humanidade e não explicar porque sofrem os justos – cada um concebe o inferno como quiser. Calo-me diante da resignação dos budistas que negam a realidade da dor – todos vivemos com diferentes níveis de negação (denial). Porém, quando tento vestir essas camisas, elas me apertam com desconforto. Portanto, desisto das meta-narrativas que sobrevivem ao colonialismo; do triunfalismo que resiste em ser enterrado com as ideologias; do ufanismo de religiões que não percebem o ridídulo de suas intolerâncias.
Buscarei nos pequenos gestos e nos encontros despretensiosos o significado mais profundo de minhas ações. Quando leio Vítor Westhelle em “The Scandalous God” - O Deus escandaloso - (ainda sem tradução - Fortress Press, USA), repenso minha escatologia. Resignifico a expectativa do fim escatológico como futuro. Pretendo situar minha esperança não mais numa periferia remota do tempo, mas nas margens, ou confins, geográficos e existenciais.
Para Westhelle, todos os que habitam nesses “confins”, se exilam dos centros – políticos, religiosos e econômicos”. Ele oferece, e eu aceito, uma nova percepção para o Apocalipse. Devemos esperar a manifestação gloriosa de Deus não só no tempo, mas, e principalmente, em lugares e em pessoas onde a epifania – a manifestação total de Deus – não pode sequer ser imaginada. Os desvalidos, as perfiferias pobres, passam a ser lugares privilegiados, onde o “apocalipse se torna real” porque Cristo se faz presente, se manifesta.
A volta de Cristo deixa de ser mais uma utopia porque não há mais um dia futuro em que ele se tornará presente (presença, do latim prae-esse, com o significado preciso para parousia). Jesus advertiu para que não se especule sobre o rompimento da radical ausência divina (do latim ab-esse e no grego apousia, que não pode ser restrita a um sentido cronológico). “Se disserem onde e quando ele vem, não creiam, pois ele vem na estranha imagem de um ladrão à noite (Mateus 24.43). E ele veio como o ladrão executado na mesma cruz; e que carecia de esperança no meio de um dia que virou noite (Marcos 15.33)”. Jesus já está entre nós e ele já pode ser visto; não num relâmpago, mas no rosto de gente pobre, carente, sofredora e indefesa como o ladrão declarado cidadão do paraíso. Assim, meu horizonte utópico permanece como esperança, mas o dia a dia se anima com pequenas ações: dar de comer a quem tem fome, abraçar os que precisam de afeto, advogar a causa dos indefesos e curar os feridos de alma; eles expressam o rosto do Deus sofredor.
Em algum tempo, não sei precisar quando, abandonei o antigo prédio onde organizava idéias – um edifício calafetado, atapetado e seguro. Agora me vejo numa esquina fria, sem saber direito para que lado deva dobrar. Mesmo assim, prefiro esta insegurança, àquela masmorra.
Soli Deo Gloria.
11 Fevereiro, 2008
Nem todo Sagrado é Divino
Por Ricardo Gondim.
Toda experiência com o divino é sagrada, mas nem toda experiência sagrada é divina.
As experiências sagradas colocam o crente em contato com o numinoso, com o mistério, com as dimensões que transcendem os mecanismos biológicos e físicos da vida. As experiências sagradas acontecem em lugares específicos, através de objetos especiais, com rituais ou na meditação e assimilação de textos místicos. As experiências sagradas precisam de contornos religiosos definidos – que não são, obrigatoriamente, próprios de uma igreja.
Uma torcida organizada numa arquibancada de estádio também pode proporcionar uma experiência sagrada - e que será muito parecida com a de uma religião. Arrepios, enlevos e arrebatamentos na hora do gol, ou quando a taça de campeão é erguida, possuem características religiosas. Assim, as experiências sagradas não se limitam, exclusivamente ao campo religioso. Uma tarde em Itapoã, um reencontro de amigos saudosos, bebericar café com pão-de-queijo num dia chuvoso, podem ser sagrados sem que signifiquem um encontro com Deus.
Já as experiências com o Divino não precisam de focos específicos (Deus é mistério e espírito, e não pode ser contido num foco); não se restringem a lugares (adora-se a Deus em espírito e em verdade, nunca em templo feitos por mãos humanas). Repito, a experiência com o Divino será sagrada, mas nem sempre religiosa. Quando o Samaritano ajudou o homem que agonizava numa beira de caminho, ele encarnou, e experimentou, o amor divino numa dimensão que estava longe de ser religiosa. Também, quando no último dia, Deus separar os bodes das ovelhas, o critério não será religioso. O destino eterno das pessoas será definido por ações muito naturais como dar de comer a quem teve fome, vestir os nus e solidarizar-se com os encarcerados.
As instituições religiosas, sempre ávidas de defenderem o direito de existirem, tentam confundir as duas experiências. Afirmam, sem titubear, que seus rituais, cultos e militância são Divinos. Nem sempre!O que as diferencia o Divino do Sagrado? As experiências religiosas, por mais arrebatadoras, por mais deslumbrantes, por mais apavorantes, não conseguem transbordar para a vida. Restritas a uma hora e a um lugar, no máximo, provocam sentimentos piedosos. Segundo Rudolf Otto, geram, simultaneamente, “medo e fascínio”, mas ficam nisso.
Por outro lado, as experiências com o Divino suscitam integração, mudança de consciência, compromisso com a vida; uma práxis transformadora. Para encontrar-se com Deus, não se precisam de ritos, compromissos com o rigor dogmático ou de obediência institucional, mas de fé. (Aqui, defino fé como uma coragem existencial). Deus se revela e apostamos que seus princípios e verdades são suficientes para tenhamos vida e vida com abundância.
As igrejas se especializaram em reproduzir experiências sagradas, que podem ser estereotipadas, massificadas e desejadas como um fim em si mesmas.
As experiências com o divino, porém, são sempre únicas e irrepartíveis; elas fogem do controle sacerdotal (o Espírito sopra onde quer e como quiser) e não podem ser ideologicamente manipuladas.
As experiências sagradas se mantêm na vertical: mulheres e homens em busca do transcendente; são também intimistas: mulheres e homens emocionalmente afetados pelo misterium tremendum.
Todavia, as experiências com o Divino se expressarão na horizontalidade (a fé sem obras é morta); sempre na relação com o próximo. Eis o motivo porque Jesus enviou seus discípulos para fora dos contornos religiosos. Eles deveriam ir pelas estradas, atalhos e vielas para promoverem a vida e, para isso, a religião é desnecessária.
Soli Deo Gloria.
Toda experiência com o divino é sagrada, mas nem toda experiência sagrada é divina.
As experiências sagradas colocam o crente em contato com o numinoso, com o mistério, com as dimensões que transcendem os mecanismos biológicos e físicos da vida. As experiências sagradas acontecem em lugares específicos, através de objetos especiais, com rituais ou na meditação e assimilação de textos místicos. As experiências sagradas precisam de contornos religiosos definidos – que não são, obrigatoriamente, próprios de uma igreja.
Uma torcida organizada numa arquibancada de estádio também pode proporcionar uma experiência sagrada - e que será muito parecida com a de uma religião. Arrepios, enlevos e arrebatamentos na hora do gol, ou quando a taça de campeão é erguida, possuem características religiosas. Assim, as experiências sagradas não se limitam, exclusivamente ao campo religioso. Uma tarde em Itapoã, um reencontro de amigos saudosos, bebericar café com pão-de-queijo num dia chuvoso, podem ser sagrados sem que signifiquem um encontro com Deus.
Já as experiências com o Divino não precisam de focos específicos (Deus é mistério e espírito, e não pode ser contido num foco); não se restringem a lugares (adora-se a Deus em espírito e em verdade, nunca em templo feitos por mãos humanas). Repito, a experiência com o Divino será sagrada, mas nem sempre religiosa. Quando o Samaritano ajudou o homem que agonizava numa beira de caminho, ele encarnou, e experimentou, o amor divino numa dimensão que estava longe de ser religiosa. Também, quando no último dia, Deus separar os bodes das ovelhas, o critério não será religioso. O destino eterno das pessoas será definido por ações muito naturais como dar de comer a quem teve fome, vestir os nus e solidarizar-se com os encarcerados.
As instituições religiosas, sempre ávidas de defenderem o direito de existirem, tentam confundir as duas experiências. Afirmam, sem titubear, que seus rituais, cultos e militância são Divinos. Nem sempre!O que as diferencia o Divino do Sagrado? As experiências religiosas, por mais arrebatadoras, por mais deslumbrantes, por mais apavorantes, não conseguem transbordar para a vida. Restritas a uma hora e a um lugar, no máximo, provocam sentimentos piedosos. Segundo Rudolf Otto, geram, simultaneamente, “medo e fascínio”, mas ficam nisso.
Por outro lado, as experiências com o Divino suscitam integração, mudança de consciência, compromisso com a vida; uma práxis transformadora. Para encontrar-se com Deus, não se precisam de ritos, compromissos com o rigor dogmático ou de obediência institucional, mas de fé. (Aqui, defino fé como uma coragem existencial). Deus se revela e apostamos que seus princípios e verdades são suficientes para tenhamos vida e vida com abundância.
As igrejas se especializaram em reproduzir experiências sagradas, que podem ser estereotipadas, massificadas e desejadas como um fim em si mesmas.
As experiências com o divino, porém, são sempre únicas e irrepartíveis; elas fogem do controle sacerdotal (o Espírito sopra onde quer e como quiser) e não podem ser ideologicamente manipuladas.
As experiências sagradas se mantêm na vertical: mulheres e homens em busca do transcendente; são também intimistas: mulheres e homens emocionalmente afetados pelo misterium tremendum.
Todavia, as experiências com o Divino se expressarão na horizontalidade (a fé sem obras é morta); sempre na relação com o próximo. Eis o motivo porque Jesus enviou seus discípulos para fora dos contornos religiosos. Eles deveriam ir pelas estradas, atalhos e vielas para promoverem a vida e, para isso, a religião é desnecessária.
Soli Deo Gloria.
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