28 Janeiro, 2008

Algumas Reflexões sobre Educação

Acabei de receber um email de uma amiga. Nele, estava a apresentação PPT do ex-ministro da educação Cristovam Buarque. Ao final, a organizadora afirma que o teor ali apresentado não foi vinculado a imprensa ou nenhum tipo de mídia. Se for (ou fosse) real o que aconteceu, eu concordaria com o ex-canditado à presidência da Republica.
Enfim, tal email consistia na transcrição de uma resposta dada por Buarque a um jovem estudante, durante um seminário em uma daquelas universidades norte americanas. A questão era se o brasileiro-humanista Cristovam Buarque concordava com a internacionalização da Amazônia – em especial, naquele segundo aspecto.
Enquanto humanista, o Cristovam do email concordaria com fome voraz dos EUA em “estatficar”a Amazônia, desde que outros bens (vivos, bons ou maus) também o fossem. Desta forma, a internacionalização também deveria abranger os armamentos nucleares norte americanos- como já provaram o que podem fazer de mal ao semelhante, pelo bem do próximo os outros deveriam tomar conta; a arte do Museu de Louvre por exemplo- é um bem que guarda a arte da humanidade, por que deixá-lo cativo à frança apenas?; e entre outros “objetos passíveis a internacionalização”, Buarque teria citado o rateio das riquezas que poucos detém e a guarda comunitária de todas as crianças do mundo- a primeira, porque permitira que muitos pudessem viver qualitativamente melhor, e a segunda, porque os pequenos são o maior bem que a humanidade pode ter, pois eles proporcionam a possibilidade de investir-se em consciências. Ah, e enquanto brasileiro, ele defenderia a manutenção nacional da Amazônia.
Claro que não citei todos os exemplos contidos naquela apresentação – eram pelo menos uns 8. Mas, sendo verdadeiro ou não o teor daquele email, lembrei-me que quando Buarque foi candidato, votei nele. Admirei-o por defender com veemência a importância crucial da educação na vida do povo. E concordo com ele.
É triste constatarmos que educação nunca foi o forte dos brasileiros. E nem dos evangélicos. Exceto alguns obstinados ou outros bem providos de recursos, ainda são poucos os cristãos com nível superior. A grande parte nada através das dificuldade da vida e acaba morrendo na praia da realidade brasileira – precisa manter a si e a família e desiste de estudar.
E agora, faço uso de uma das frases que mais escutei entre os crentes: “Nós temos que ser diferentes!”
Gostaria de encontrar mais “Cristavams Buarque” neste dito “meio gospel”. Quantos líderes você conhece que incentivam suas ovelhas a continuarem estudando, lendo bons livros (seculares principalmente), jornais respeitados? Ok, até encontramos, mas e quantas das igrejas apóiam seus fiéis, inclusive financeiramente, para que isso seja possível?
É muito mais fácil ensinar que Deus é o dono de todo ouro e toda prata e que os filhos do Rei tem direitos garantidos onde pisar a planta dos pés , do que custear 50 % de uma faculdade. É simples dizer que Deus vai dar a vitória financeira a um homem de 45 anos com ensino fundamental incompleto, do que bancar um curso técnico para que ele se recoloque no mercado de trabalho. E é melhor ter a creche dos pequenos como motivo de oração por uma vaga do que fazer da estrutura “santa”uma escolinha para eles. E nisso tudo, ainda colocar a culpa no governo que “está sob a influência do inimigo”. Templos estofados e climatizados destoam das casas inacabadas por falta de recursos. Ternos pastorais que valem um ano de trabalho de uma faxineira. Salários “Dignos” que custeariam dezenas de mensalidade de cursinhos pré vestibulares.
Exemplos extremos? Talvez, mas não menos verdadeiros! O investimento educacional que grande parte da igreja evangélica faz está nos cursos de intimidade com Deus, nos seminários teológicos, nos encontros tremendos....E não que estas coisas sejam más, podem ser ótimas, mas também podem ser bitolantes! Existem cristãos que sabem muito pouco sobre a África, além do que os missionários contam. Não conhecem a importância das pesquisas científicas, as implicações das queimadas na Amazônia ou o ganancioso mercado de créditos de carbono, entre outras coisas que talvez nunca ouviram falar. E “biblicamente” são tão incautos quanto, acreditando em toda sorte de “dizeres pastorais” sob a justificativa de que Deus não deixaria seu ungido falar nada que não fosse verdade..
“Sem educação, o povo vira massa de manobra”. Frase dita muitas vezes pela minha mãe, uma senhora que sabia escrever muito pouco exceto seu nome, mas que aprendera a importância de inteirar-se com o mundo que a cercava. E concordo com ela.
Gostaria muito que 2008 fosse um Ano de “Excelência e Nobreza”, mas em atitudes de servo que promovem a justiça social, a qualidade de vida e a maturidade . Fora esta dinâmica, não me venha repetir esse jargão do ano perto da família numerosa do casebre, que reúne-se em torno de um caldo salgado como alimento do dia.
Não! Chega de demagogia gospel travestida de vontade de Deus.

Naquele que mandou dar uma túnica,

Angela

21 Janeiro, 2008

A Empregadinha...

Parece bobagem, não é.
Acabei de ler a declaração de uma moça que faz novela na Rede Globo, e ela tem toda a razão. Uma razão torta, mas que não deixa de ser razão.
A leitora está cansada de saber que é avaliada pelas roupas que usa, pelos lugares que freqüenta, pelo carro que dirige, pela casa onde mora ou, mais que tudo, pelo saldo bancário do marido. Ou do pai. Aliás, tenho vários amigos, gurizada bonita e que vive na noite, pois esses garotos me contam o que vêem e escutam nas "festas".
As gurias não querem saber de molambentos do saldo bancário.
Dito de outro modo, pobre não tem chance. Caráter, que é o bom da festa humana, ah, caráter não serve para nada.
Ora já se viu perdermos tempo no corredor da empresa jogando conversa fora com um bom caráter, bom caráter não fala mal de ninguém, não puxa tapete, trabalha demais, bom caráter é um chato... Não é isso? Caráter, que é a única coisa que pode fazer saudavelmente longevos os casamentos e agradáveis os convívios, não, caráter ninguém quer. Não vamos longe, há inúmeras advogadas que vão a presídios, mulheres bonitas, namorar bandidos da pesada...
Mas a conversa não é bem essa, é outra, é o que li sobre a garota que faz novela na Globo. Vou dizer o nome dela e a leitora vai torcer o bico, vai dizer que não lembra dela, que ela deve ser uma atrizinha.
Queres ver? O nome dela é Maria Clara Guerreiros. Deu branco? Eu sabia.
Essa moça fez papel de uma empregada doméstica em O Clone. Agora faz sucesso como a Márcia do Zorra Total e a Silvana de Minha Nada Mole Vida. Pois essa moça, a Maria Clara, está dizendo nos jornais que quando você faz papel de empregadinha numa novela ninguém quer saber de fotos ou sorrizinhos nos shoppings, as pessoas passam rápido...
Por quê?
Bolas, porque empregadinhas ganham pouco, são um nada na sociedade do dinheiro e dos falsos conceitos sociais.
Esse povo é tão burro, tão mesquinho, que não separa uma coisa da outra.
Dá de costas na rua para uma atriz só porque ela faz papel de empregadinha. E esse mesmo povo é tão estúpido que há muitas "idosas", para não chamá-las de caquéticas, que batem com a bolsa na vilã de uma novela...
Faz sentido, claro que faz. Basta olhar em quem o pessoal andou votando...
Coitados, fecham a cara para o bom caráter e suspiram pelo dinheiro, pelos falsos bens, bem-feito pelo modo como vivem.

Por Luiz Carlos Prates (Diário Catarinense-02/05/07)

14 Janeiro, 2008

Não atire pérola aos porcos!!!


Nos meus tempos de “crentão” este texto sempre era usado para dizer as pessoas que ao falarem de Jesus pra alguém e este alguém não der bola ou até mesmo debochar disto este era o “porco” que não merecia as “perolas” das boas novas jogadas a ele.

Com o tempo fui percebendo que o que temos de valioso e não devemos dar a qualquer um é o que está no nosso coração, a nossa confiança em abrir a alma com alguém.

Não esqueço do “porco” líder da convenção que fui pastor que quando faltou pastor na igreja em que era pastor de jovens veio “ajudar” a resolver os problemas. Não era a favor de sua vinda, pois já estava eu e mais um pastor neste local e sabia que este queria se envolver por causa do status que a igreja carregava por causa do ex-pastor que fazia um ótimo marketing dela e de si mesmo.

Pois é, mesmo assim ele veio “ajudar” e eu fui sincero com ele e “lancei as minhas pérolas” a ele para em um momento de infantilidade e insegurança ele falar de mim em frente a todos, mesmo sem muitos nem sequer entenderem o que dizia.

Dramaticamente aprendi o que significa “não atirar perola aos porcos” e garanto que será mais difícil de fazê-lo novamente. Hoje lanço minhas perolas para gente boa de Deus, que anda em simplicidade e não quer poder nas estruturas eclesiásticas. Este novo jeito simples de andar tem me garantido muita indiferença de cristãos e líderes, mas já não há outro caminho a seguir já que percebi que é este caminho que o Caminho quer que eu siga.

Cuide de suas pérolas, ok?

Abraço,
Daniel

07 Janeiro, 2008

Hereges e heresias.

Com quantos argumentos se estabelece uma questão? Os nazistas souberam demonizar os judeus, já os comunistas habilidosamente desmontaram a lógica de Hitler. Os americanos organizaram uma estrutura filosófica que justificou o bombardeio sobre o Iraque.
Richard Dawkins escreveu um livro em que ele criteriosamente procura desmascarar os evangélicos ocidentais. Mas já existem vários livros que denunciam a fragilidade dos argumentos deste ateu belicoso.

E assim se alongam as controvérsias.
Um debate de idéias, quando serve a propósitos escusos, tem vida longa e é, na verdade, interminável. Os polemistas assumem, muitas vezes, o perfil do torturador num interrogatório; ele não espanca porque busca extrair a verdade, mas para destruir a pessoa.
O que seria uma heresia? A negação de uma moldura teológica bem assumida por um grupo? Uma hegemonia dogmática? Uma outra interpretação que não se alinha à que pretende ser a melhor e mais autêntica ?
Ouso redefinir o conceito de heresia.
Heresia para mim é falta de reverência pela vida. Todo e qualquer sistema que não defenda os mais frágeis, os menos competentes, os mais indignos, é herética, por mais coerente que se mostre.
Heresia para mim é falta de consideração. As instituições, escolas teológicas e igrejas que descartam as pessoas com suas biografias e seu legado em nome de uma retidão conceitual são heréticas, mesmo que consigam repetir dogmas e catecismos.
Heresia para mim é falta de mansidão. Se a defesa de verdades complexas e excelentes, que extrapolam a capacidade humana, gerar pessoas soberbas, arrogantes e inclementes, isso é apostasia, mesmo que ninguém consiga discordar de seus pressupostos acadêmicos.
Heresia para mim é falta de integridade. Cada dia mais me convenço de que a linguagem religiosa camufla e dissimula a condição humana inadequada e pecaminosa. Não suporto ler tratados sobre santidade quando não percebo um mínimo de sinceridade em quem escreve de admitir suas próprias falhas.
Heresia para mim é falta de honestidade. Algumas pessoas falam de Sartre, Gustavo Gutierrez, Marx, Freud, sem nunca terem lido uma linha sequer do que escreveram. Tenho pena de quem não consegue comer peixe por ter medo de se engasgar com as espinhas.Esses, à priori, jogam pedra e preconceituosamente só se interessam em ler quem já criticou aquela idéia.

A tolerância nasce da admissão de que pode sim vir coisa boa de Nazaré, das mulheres, dos pentecostais e dos negros. Ouvir é uma arte e quem não se dispõe para o diálogo amoroso, para mim, é um herege, mesmo que esteja coberto de razão.
O que Deus requer das pessoas? Que sejam misericordiosos, que façam justiça e que andem humildemente com ele.

Esse tipo de vida não tem muito espaço para a heresia; é assim que desejo caminhar.
Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim
www.ricardogondim.com.br

03 Janeiro, 2008

Dietrich Bonhoeffer

Realmente não pensei que voce ser bom pra mim mesmo a leitura de um livro de teologia, já que não acredito mais muito nela. Felizmente o livro Teologia Contemporânea, mais do que trazer conceitos teológicos, trouxe até mim a vida de uns caras que foram gente boa de Deus em seu tempo.

Identifiquei-me muito com Dietrich Bonhoeffer, apesar de não imaginar o que ele deve ter passado sob o nazismo que decidiu enfrentar diferentemente de Barth e Tillich que exilaram-se.

Pra mim, Bonhoeffer pareceu-me extremamente humano, algo que tenho buscado ser a cada dia mais atualmente.

Compartilho com você algumas coisas que achei interessante deste mano gente boa:


“Para a religião, o homem ideal é o Homo-religiosus, isto é, um “santo” no sentido vulgar da palavra: um individuo piedoso que se concentra em sua vida interior de oração, à margem da atmosfera contaminada do mundo. Desde o início de sua carreira, Bonhoeffer demonstrou desconforto em presença dos piedosos. Ele preferia a camaradagem com os não crentes mais do que a convivência com aqueles que ficavam falando impertinentemente a respeito de Deus. Deus nos convoca, alega ele, não para nos tornemos santos, ma, sim, para que nos tornemos, propriamente, homens. Não nos convém insistir em sermos mais religiosos do que Deus. Deus não se fez orgulhoso a ponto de desprezar a necessidade de tornar-se homem e viver conforme as limitações humanas. Os santos não aceitam participar dos prazeres que há no mundo, mas Bonhoeffer entende ser isso uma atitude de ingratidão para com Deus, tendo-se em vista quão admiráveis são os dons que dele nos vêm. É algo impróprio alguém demonstrar-se ansioso pelo transcendente quando se encontre, por exemplo, envolvido nos braços da esposa. O santo mantém seus olhares voltados para um outro mundo; ele se expressa com saudade do céu, como certo hino o enuncia. Entretanto, opina Bonhoeffer, o fato é que Deus nos pôs neste mundo e, enquanto aqui nos encontramos, é com este e não com outro mundo que tempos de nos preocupar.”


“Talvez, o que devemos fazer seja continuar em nossos hábitos de oração dirigida a Deus e de serviço depreendido para com o próximo, enquanto ficamos na esperança de que o Espírito Santo nos venha a proporcionar as palavras mais capazes, para que voltemos a falar com poder ao mundo que nos cerca”. Pg.268