Recebi o texto abaixo de um amigo por email e sem autor, não sei quem é, mas gostei...
bjão,
Daniel
A manchete da Veja era um soco no estômago. Batia forte em algumas pessoas e de algum modo em todos nós. O texto que seguia a manchete exigia pensar, colocar-se o leitor, a leitora, na posição, no lugar de quem tratava a reportagem. A manchete era esta: "Famílias Ricas Vendem Quase Tudo". Contava do acúmulo de bens, jóias, móveis caros, tapetes, quadros, cavalos, de tudo, objetos que pessoas ricas um dia compraram com avidez e num outro, nos alongados da vida, venderam por não ver mais nesses bens qualquer utilidade. Deve ser dolorido para alguém vender seus bens mais caros, objetos de longo tempo de convívio e apreço. Desfazer-se deles porque a vida se adianta para o fim. Deve ser duro, tristíssimo.
Mas eu me pergunto e passo a pergunta à leitora: não houve nesses casos uma formidável estupidez, uma cegueira que levou e leva pessoas a acumular bens de todo tipo e que deles não vão precisar no futuro ou talvez deles nunca tenham precisado? Por que não uma única e bonita jóia, um anel, um colar, o que for, mas um só, por que não? Por que a cupidez de comprar e comprar, de pendurar bobagens nas paredes, de encher caixas de jóias ou animais no pasto?
Por que encher uma fazenda de cavalos caros? Para quê? A resposta é uma só: por exibicionismo, para mostrar aos outros, para aparecer nos jornais, para aplacar o enorme vazio de sentido para a vida. Estupidez rematada. Muitos homens, pobres de cabeça, tem vários carros caríssimos na garagem, para quê? Essas pessoas de grande avidez por jóias, objetos de arte, cavalos, tolices, enfim, de todo tipo, na verdade sempre foram pessoas vazias. E essas pessoas são as que sofrem mais na velhice e mais ainda quando a "famigerada" lhes começa a rondar a porta da cozinha...
O vender os bens significa, nesses casos e momentos, uma espécie de limpeza das gavetas da vida, há pouco a esperar, não há mais ilusões... Alguém me pode dizer que tudo valeu a pena no passado, e se valeu, valeu. Penso que não, penso que o melhor é ter o suficiente, poucas coisas, boas coisas, não mais. Ir gastando e jogando fora, sem acúmulos neuróticos nem vendas futuras com sabor de despedida. Os sábios sempre tiveram razão, melhor de tudo é dar de ombros, viver no desapego e respirar com prazer o ar do hoje, o único que nos está garantido. É triste olhar para a foto de uma rica e famosa senhora brasileira que está vendendo todas as suas preciosidades de muitos anos, e sentir que a vida dela girou em torno daquelas inutilidades. E ela sabe disso.
A manchete da Veja era um soco no estômago. Batia forte em algumas pessoas e de algum modo em todos nós. O texto que seguia a manchete exigia pensar, colocar-se o leitor, a leitora, na posição, no lugar de quem tratava a reportagem. A manchete era esta: "Famílias Ricas Vendem Quase Tudo". Contava do acúmulo de bens, jóias, móveis caros, tapetes, quadros, cavalos, de tudo, objetos que pessoas ricas um dia compraram com avidez e num outro, nos alongados da vida, venderam por não ver mais nesses bens qualquer utilidade. Deve ser dolorido para alguém vender seus bens mais caros, objetos de longo tempo de convívio e apreço. Desfazer-se deles porque a vida se adianta para o fim. Deve ser duro, tristíssimo.
Mas eu me pergunto e passo a pergunta à leitora: não houve nesses casos uma formidável estupidez, uma cegueira que levou e leva pessoas a acumular bens de todo tipo e que deles não vão precisar no futuro ou talvez deles nunca tenham precisado? Por que não uma única e bonita jóia, um anel, um colar, o que for, mas um só, por que não? Por que a cupidez de comprar e comprar, de pendurar bobagens nas paredes, de encher caixas de jóias ou animais no pasto?
Por que encher uma fazenda de cavalos caros? Para quê? A resposta é uma só: por exibicionismo, para mostrar aos outros, para aparecer nos jornais, para aplacar o enorme vazio de sentido para a vida. Estupidez rematada. Muitos homens, pobres de cabeça, tem vários carros caríssimos na garagem, para quê? Essas pessoas de grande avidez por jóias, objetos de arte, cavalos, tolices, enfim, de todo tipo, na verdade sempre foram pessoas vazias. E essas pessoas são as que sofrem mais na velhice e mais ainda quando a "famigerada" lhes começa a rondar a porta da cozinha...
O vender os bens significa, nesses casos e momentos, uma espécie de limpeza das gavetas da vida, há pouco a esperar, não há mais ilusões... Alguém me pode dizer que tudo valeu a pena no passado, e se valeu, valeu. Penso que não, penso que o melhor é ter o suficiente, poucas coisas, boas coisas, não mais. Ir gastando e jogando fora, sem acúmulos neuróticos nem vendas futuras com sabor de despedida. Os sábios sempre tiveram razão, melhor de tudo é dar de ombros, viver no desapego e respirar com prazer o ar do hoje, o único que nos está garantido. É triste olhar para a foto de uma rica e famosa senhora brasileira que está vendendo todas as suas preciosidades de muitos anos, e sentir que a vida dela girou em torno daquelas inutilidades. E ela sabe disso.





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