27 Fevereiro, 2008

A SANTIDADE SACRIFICIAL E O AMOR INCONDICIONAL.

Há tempos ( e muitos!) penso sobre os conceitos acima citados.

Em especial, a santidade dos acampamentos (não a da Bíblia), sempre me foi uma ditadora, uma déspota. Essa “senhora” que sempre exigiu-me demonstrações de que era ela quem realmente “mandava”. E apesar de ser severa, quando o conjunto de evidências não apontava para sua presença no check list ... que culpa carnívora devorava o coração!

Em contrapartida, o amor incondicional (esse da Bíblia), parecia-me não condizer perfeitamente com os ditames daquela senhora. Aquela, era mensurável no conjunto de podes-e-não-podes (nunca falados, mas subjetivamente pregados). Já o amor, um sentimento, uma pulsão de querer bem sem olhar a quem, como medir? Esse amor é como amar apenas o pecador arrependido que vai à frente no apelo?

Foram questões que nunca compreendi perfeitamente. Então absorvi que a primeira era dos homens para Deus e a segunda de Deus para os homens. Por isso o sacrifício na santidade, e a aceitação do pecador – aceito por Deus.

E nestas idas e vindas da vida, permeadas pelas voltas que o mundo dá, percebi algumas nítidas diferenças entre a santidade sacrificial e o amor incondicional Nem todas são tema de nossas conversas na comunhão, mas muitas estão nas entrelinhas das opiniões...

A santidade sacrificial...
...faz o individuo perceber-se como homem meritório das bênçãos de Deus, porque ele paga o preço.
... faz as orações chegarem mais rápido até Deus, porque eles estão limpos diante de Dele.
... torna o ser espiritual, porque sem ser santo isto é impossível.
... o habilita a expulsão de demônios, porque o diabo não terá nada para “jogar na cara”.
... dá “discernimentos” da vida do próximo e o que fazer com ele diante de tais constatações, porque a vida do santo é reta diante de Deus e Ele mesmo autoriza.
... faz com que nada o abata, porque a sua santidade o leva a intimidade com Deus como um guerreiro que não pode esmorecer.
... o impossibilita de andar e/ou estar com certas pessoas com o veredicto de “pecadoras”, exceto com o intuito de evangelizá-las ou fazê-las voltar – porque ele vive o Salmo 1:1
... o impede de ir a certos lugares, porque ele dá testemunho de sua santidade.
... pode tornar ( e quase sempre torna) o indivíduo arrogante, hipócrita e intolerante ( e essas coisas ninguém admite), porque ele se enxerga como mais valoroso que os outros, aprende a esconder suas falhas e fingir que não as tem, e dificilmente aceita aqueles que não se enquadram em seu esquema de vida.

Já o amor incondicional...
... mostra ao indivíduo que tal não é merecedor de nada , porque se não fosse pelo Amor de Deus, ele seria consumido.
... faz suas orações brotarem do coração e da compaixão, porque ele vê todos como iguais.
... torna o ser espiritual, porque todos são no sentido real, sem pejorativismos.
... o habilita a expulsão de demônios, porque segundo Jesus algumas poucas palavras bastam quando o diabo não resiste à força do Amor.
... não dá discernimentos da vida alheia, porque ele sabe que o templo neotestamentário é o coração humano, solo sagrado, que só Deus conhece.
...imerge o indivíduo em sua humanidade como pecador/ gente (como Paulo diria, “o maior”) e que vive na Graça de Deus , mas que nem por isso esconde suas aflições, dores e maus sentimentos.
...conforme o exemplo “Daquele que andava, comia e bebia com pecadores”, não faz acepção de pessoas ou dos lugares em que elas estão. Ele vive no mundo relacionando-se com todos e as vezes ele tem surtos de obediência a Voz do Amor.
... torna o indivíduo simples, pacificado e semeador da bondade. Porque quem ama incondicionalmente não precisa fazer médias ou agradar ninguém, pois ele sabe que Deus já agradou-se dele.

A diferença entre a santidade sacrificial e o amor incondicional, particularmente creio residir resumidamente nestas linhas. Pelo menos, foram estas as diferenças que percebi em mim mesma.
E quando percebi isso me entristeci, envergonhei-me por mim e senti o gosto amargo “das mesmas medidas que usares...”
Mas a Graça me alcançou – e a gente começa um novo caminho. De novo.

Ah, e a santidade que Jesus propõe é outra. Mas esse é um assunto para uma próxima conversa...


Naquele que foi chamado beberrão e glutão por amor,

Angela

1 comentários:

V. Careli disse...

Quem é a autora desse texto? Deus realmente falou-me por essas linhas.