03 Janeiro, 2008

Dietrich Bonhoeffer

Realmente não pensei que voce ser bom pra mim mesmo a leitura de um livro de teologia, já que não acredito mais muito nela. Felizmente o livro Teologia Contemporânea, mais do que trazer conceitos teológicos, trouxe até mim a vida de uns caras que foram gente boa de Deus em seu tempo.

Identifiquei-me muito com Dietrich Bonhoeffer, apesar de não imaginar o que ele deve ter passado sob o nazismo que decidiu enfrentar diferentemente de Barth e Tillich que exilaram-se.

Pra mim, Bonhoeffer pareceu-me extremamente humano, algo que tenho buscado ser a cada dia mais atualmente.

Compartilho com você algumas coisas que achei interessante deste mano gente boa:


“Para a religião, o homem ideal é o Homo-religiosus, isto é, um “santo” no sentido vulgar da palavra: um individuo piedoso que se concentra em sua vida interior de oração, à margem da atmosfera contaminada do mundo. Desde o início de sua carreira, Bonhoeffer demonstrou desconforto em presença dos piedosos. Ele preferia a camaradagem com os não crentes mais do que a convivência com aqueles que ficavam falando impertinentemente a respeito de Deus. Deus nos convoca, alega ele, não para nos tornemos santos, ma, sim, para que nos tornemos, propriamente, homens. Não nos convém insistir em sermos mais religiosos do que Deus. Deus não se fez orgulhoso a ponto de desprezar a necessidade de tornar-se homem e viver conforme as limitações humanas. Os santos não aceitam participar dos prazeres que há no mundo, mas Bonhoeffer entende ser isso uma atitude de ingratidão para com Deus, tendo-se em vista quão admiráveis são os dons que dele nos vêm. É algo impróprio alguém demonstrar-se ansioso pelo transcendente quando se encontre, por exemplo, envolvido nos braços da esposa. O santo mantém seus olhares voltados para um outro mundo; ele se expressa com saudade do céu, como certo hino o enuncia. Entretanto, opina Bonhoeffer, o fato é que Deus nos pôs neste mundo e, enquanto aqui nos encontramos, é com este e não com outro mundo que tempos de nos preocupar.”


“Talvez, o que devemos fazer seja continuar em nossos hábitos de oração dirigida a Deus e de serviço depreendido para com o próximo, enquanto ficamos na esperança de que o Espírito Santo nos venha a proporcionar as palavras mais capazes, para que voltemos a falar com poder ao mundo que nos cerca”. Pg.268

1 comentários:

Edemir Antunes disse...

Daniel,

a consciência do Evangelho não nos faz repelir a teologia acadêmica. Antes somos levados/as a usá-la de maneira favorável. Quando caminhamos com Cristo nós nos despojamos de todo o tipo de arrogância. Bebemos de todas as fontes, todavia selecionamos aquilo que é profícuo para o nosso viver.

Graça, paz e bem!