29 Outubro, 2007

"Bíblico" ou "não-bíblico"?


Queridos irmãos sempre vejo discussões como essa em todos os lugares em que há crentes. Parece-me que a discussão toda tem apenas dois lados. Em um lado estão os que dizem: "na Bíblia era assim e assado, por isso nós vamos fazer desse jeito". Do outro lado da trincheira estão os que dizem; "não vejo isso na Bíblia, logo, isso não pode ser bíblico..."


Mesmo sabendo dos riscos da simplificação e das generalizações, ouso dizer que nosso problema ocorre exatamente pelo fato de querermos fazer tudo "em nome de Deus" e com sanção "bíblica".


Eu mesmo já estive nessas trincheiras até o dia em que percebi uma expressão que aparece repetidas vezes nas escrituras. Trata-se da expressão "pareceu bem".


Se atentarmos bem para a forma como essa expressão é usada nas escrituras haveremos de descobrir que os homens "bíblicos" fizeram muita coisa apenas porque lhes "pareceu bem" fazer. Ou seja, não era "bíblico" o que eles fizeram. Apenas lhes "pareceu bem" fazer.


Só para exemplificar, o que diríamos se víssemos o real motivo que levou Lucas a escrever um dos evangelhos?"PARECEU-ME também a mim CONVENIENTE descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo..." (Lucas 1:3)


"Espere aí, Bento, mas isso não é um caso isolado?", poderia perguntar alguém."Então PARECEU bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos". (Atos 15:22)


Vejam, meus queridos, a primeira viagem missionária aconteceu porque PARECEU BEM à liderança e à igreja realizá-la. Não houve consulta à bíblia. Não! Eles apenas acharam que PARECEU BEM."PARECEU-nos BEM, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo..." (Atos 15:25)


"Na verdade PARECEU BEM ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias" (Atos 15:28). Notem que o código de conduta para o gentios (nós todos que não somos judeus) surgiu também porque PARECEU BEM.
"Mas PARECEU bem a Silas ficar ali". (Atos 15:34)O local onde um missionário deveria permanecer, nesse caso, também foi decidido pelo mesmo motivo.


"Porque PARECEU BEM à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém." (Romanos 15:26)


"Isto lhes PARECEU BEM, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais". (Romanos 15:27)


A primeira oferta missionária com o intuito de socorrer alguns irmãos que passavam necessidade também aconteceu porque "PARECEU BEM".Como eu disse, esses são apenas alguns exemplos de fatos que aconteceram apenas porque "PARECEU BEM" aos olhos dos homens daquelas épocas. Se alguém pesquisar a Bíblia encontrará muitos outros casos semelhantes.Em vista do acima exposto, quero concluir dizendo o que realmente desejo que vocês reflitam e tirem suas próprias conclusões.


Imagine, por um momento, se tudo isso que se discute, hoje, G12, Igreja com Propósito, Igreja em Células, 40 dias de oração, estilos musicais apropriados para o culto, etc., fosse feito apenas porque "PARECEU BEM" fazer assim ou assado. O que se poderia dizer contra? Em minha rude avaliação, todo o antagonismo é suscitado porque se tenta dizer que esse ou aquele método é "bíblico" ou "era assim que a igreja primitiva fazia", "isso não está na bíblia", etc. Me parece faltar coragem em alguns para dizer:- "estamos tocando rock and roll nos nossos cultos porque nos PARECEU BEM".- "estamos evangelizando assim ou assado porque nos PARECEU BEM".- "adotamos esse modelo eclesiástico porque nos PARECEU BEM"- "preferimos não cantar aquele estilo musical porque não nos PARECEU BEM"- "estamos ajudando aquela comunidade porque nos PARECEU BEM"- "não adotamos esse modelo de evangelismo porque não nos PARECEU BEM".


Penso que se passarmos a adotar o princípio claramente exposto nas escrituras, a saber, o princípio de fazer as coisas que nos PARECE BEM fazer, passaremos a ser mais respeitosos com as práticas e pensamentos dos outros. No entanto, se continuarmos a insistir que tudo que fazemos e pensamos é "bíblico", e tudo aquilo a que nos opomos "não é bíblico", estaremos fadados a viver nessas querelas sem fim --que só desgastam nossas relações e nos impedem de viver o verdadeiro Evangelho. Habitar esse cubículo existencial é ser privado de andar na liberdade para a qual Cristo nos chamou, a qual não consiste em "ordenanças e rituais", mas de consciência em Cristo e na Sua Graça.


Bom, me PARECEU BEM lhes dizer tudo isso.


Abraço,


Bento Souto


25 Outubro, 2007

51% dos homens fazem tarefas domésticas

Depois de um tempo sem internet e na correria de nossa mudança (mudamos para uma casa que compramos, agora não pagaremos mais aluguel iiiihuuuuuuuuuuuuuu!!!!!), comecei em um novo emprego, outra transportadora e agora posso ter de novo acesso a net e continuar alimentando-me e compartilhando neste meio virtual.
Abaixo uma interessante pesquisa do IBGE sobre a ajuda dos homens em casa. Algo que fica no ar é que ou os do sul são tão machos e por esta machesa ajudam suas esposas nos afazeres domésticos ou os do sul nem são tão machos assim, creio que é a primeira hipótese por experiência própria.
Abraço,
Daniel
Segundo o IBGE, 109,2 milhões de pessoas desenvolvem afazeres domésticos. A maior presença masculina acontece na região Sul, com 62%.
André Luiz Neri – Site G1


Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (17), mostra que 51,1% dos homens ajudam no trabalho doméstico. Já entre a população feminina, 90,6% se ocupam das tarefas do lar, segundo o IBGE.

Segundo o estudo do instituto, 109,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade em todo Brasil desenvolvem algum tipo de afazeres domésticos. Deste total, 71,5 milhões são mulheres (65,4%), enquanto os homens totalizam 37,7 milhões (34,6%).

A maior presença masculina acontece na região Sul, onde 62% deles estão envolvidos em atividades domésticas, de acordo com a pesquisa. Nos estados do Sul, também se verifica o maior percentual de mulheres que realizaram tais tarefas, com 92,4%.

Por outro lado, os homens do Nordeste têm a menor participação nas tarefas domésticas: 46,7% (10,3 horas por semana). Com isso, entre as regiões do país, as mulheres nordestinas gastam a maior média de horas nesse tipo de atividade: 26,5 horas.
Faixa etária
O grupo etário de maior participação doméstica está concentrado entre 50 e 59 anos, com 76,3% do total de pessoas gastando, em média, 24,3 horas por semana. É seguido pelos indivíduos que têm entre 25 e 49 anos (75,1%), com gasto de 21,5 horas.

Entre a população masculina, quem mais realiza tarefas em casa são os mais escolarizados (54%). Além disso, são os homens de 60 ou mais anos de idade que dedicam maior parte do seu tempo a atividades domésticas (13 horas semanais).

No grupo feminino, o estudo do instituto mostra que é entre as mulheres com idade entre 50 e 59 anos que se verifica a maior jornada, 31 horas semanais. A mulher de 60 anos ou mais, dispensa, em média, 28,7 horas para as mesmas tarefas.

Conforme o IBGE, as mulheres mais escolarizadas são as que menos contribuem para o trabalho doméstico: 22,6 horas por semana. Além disso, as mulheres casadas que têm filhos menores de 14 anos gastam 24 horas semanais com atividades do lar, contra 22 horas das não-casadas.

Crescimento

Entre os anos de 2001 e 2005, houve um aumento na proporção de pessoas que realizaram tarefas em casa de 66,9% para 71,5%. Segundo o IBGE, o resultado pode ser o reflexo da ligeira queda no trabalho doméstico remunerado de 7,8% para 7,6%. Em 2001, a média total de horas semanais dispensadas a afazeres domésticos era de 23,4. Na divisão por gênero, os dados mostravam 10,9 horas gastas pelos homens e 29 horas para as mulheres. Já em 2005, a média foi de 19,9 horas -25,3 para as mulheres e 9,9 para os homens.

Entre a população ocupada, a redução foi de 18,4 para 16,3 horas. A carga horária média feminina foi de 24,1 para 21,8, e a masculina, de 10 para 9,1. Para o IBGE, as quedas podem estar associadas com a aquisição de bens-duráveis e acesso às novas tecnologias que facilitam o trabalho doméstico.

13 Outubro, 2007

Minha fé não é aquilo em que acredito

A distinção mais útil que encontrei nesta caminhada foi a que estabeleceu Jacques Ellul entre fé e crença. Crença é aquilo que professamos acreditar; é o contéudo doutrinário peculiar à nossa facção religiosa, expresso com palavras muito bem escolhidas em nossas declarações de fé. Não há, por outro lado, conjunto de palavras suficiente para definir adequadamente a fé. Nossas crenças são passíveis de exposição, mas nossa fé é questão pessoal – seu conteúdo é o mistério tremendo, a tensão superficial entre eu e o universo, entre eu e o desconhecido, entre eu e o futuro, entre eu e a morte, entre eu e o outro, entre eu e Deus.

Os religiosos de todas as estirpes vivem em geral muito mais preocupados com as filigranas da crença do que com a vivência da fé – e posso dizê-lo por experiência própria. As divisões que fazemos questão de estabelecer entre a nossa e as demais facções da cristandade, e entre a cristandade e as outras heranças religiosas, estão fundamentados, naturalmente, em diferenças de crença. Às vezes dizemos que diante de Deus o desafio da fé é o mesmo para todos, mas agimos claramente como se nossa identidade de cristãos e de seres humanos fosse adequadamente definida pelo teor de nossas crenças. Sentimo-nos devidamente legitimados, devidamente representados, pela felicidade de pertencermos ao grupo ou denominação que professa (ao contrário, naturalmente, de todas os outros grupos ou denominações) a crença mais pura, destilada e correta. Fingimos que nos dobramos diante de Deus e de seu Cristo, mas nosso cristianismo é ortodoxolatria.


“A fé”, explica Ellul, “isola o indivíduo; a crença, (qualquer que seja, inclusive a cristã) ajunta pessoas. Na crença nos vemos unidos a outros na mesma corrente institucional, todos orientados em direção ao mesmo objeto de crença, compartilhando das mesmas idéias, seguindo os mesmos rituais, arrolados na mesma organização, falando o mesmo dialeto.”


Diante disso, sinto-me cada vez menos inclinado a responder aos que perguntam em que acredito, ou aos que levantam-se em indignação quando ouvem a temerária confissão de alguma crença minha (”O quê? O Brabo acredita na evolução?” “O quê? O Brabo não condena a fé dos católicos?” “O quê? O Brabo crê que igreja bem-sucedida é a que fecha as portas?” “O quê? O Brabo acredita em [inserir crença arbitrária aqui]”). Sinto-me cada vez menos motivado a responder aos que perguntam sobre minha tradição religiosa, a qual denominação pertenço, se faço parte de alguma igreja, se endosso determinado autor ou se fico devidamente escandalizado diante de determinada barbárie doutrinária.


Não devo iludir a mim mesmo ou a quem quer que seja dando a impressão de que resta algo de importância na vida espiritual (ou na vida) que não seja a fé, e – minha gente – minha fé não é aquilo em que acredito. Minha fé não está naquilo em que acredito, e nem poderia estar. Minha fé não é adequadamente expressa por aquilo em que acredito, e nem poderia ser.
Em primeiro lugar, porque minhas crenças mudam, mesclam-se e transformam-se constantemente. Minhas crenças nascem, reproduzem-se e morrem num plano totalmente independente do desafio que está na fé. Em segundo lugar porque, como lembra Ellul, “toda crença é um obstáculo à fé. As crenças atrapalham porque satisfazem a nossa necessidade de religião”. Quem pergunta aquilo em que acredito está tentando estabelecer comigo a mais rasteira das conexões; está querendo legitimar a sua crença a partir da minha, e isso não tem como ser saudável para ninguém.


Quem se abraça dessa forma à crença está buscando, evidentemente, o conforto do terreno conhecido e palmilhado. “A crença é confortadora”, observa Ellul. “A pessoa que vive no mundo da crença sente-se segura”. A fé, por outro lado, é coisa terrível, a que ninguém em são juízo deveria aspirar. A fé deixa-me sozinho com um Deus que pode não estar lá. A fé convida-me a um grau de liberdade que posso não ter o desejo de experimentar. A fé quer tirar-me da zona de conforto da crença e levar-me para regiões de mim mesmo e dos outros aonde não quero ir. A fé pressupõe a dúvida, a crença exclui a dúvida. A crença explica sensatamente aquilo em que acredito, a fé exige loucamente que eu prove.


Nossas crenças são âncoras de legitimação, que nos mantém seguros no lugar mas nos impedem de seguir adiante – o que, convenhamos, é muito conveniente. Quem iria em sã consciência escolher abandonar o abraço confirmatório da crença comum e dar um passo em direção à vertigem da fé, ao desafio de tornar-se um indivíduo separado, distinto e singular (numa palavra, santo) diante de Deus? Queremos voltar para o Egito, onde havia cebolas; não suportamos o desafio constante, sempre iminente, sempre exigente, do deserto.


Não tenho como recomendar a crença; sua única façanha é nos reunir em agremiações, cada uma crendo-se mais notável do que a outra e chamando o seu próprio ambiente corporativo de espiritualidade. Não tenho como endossar a crença; não devo dar a entender que a espiritualidade pode ser adequadamente transmitida através de argumentos e explicações. Não devo buscar o conforto da crença; o Mestre tremeu de pavor e não tinha onde reclinar a cabeça. Não devo ouvir quem pede a tabulação da minha crença; minha fé não é aquilo em que acredito.
Nunca deixa de me surpreender que para o cristianismo Deus não enviou para nos salvar um apanhado de recomendações ou uma lista suficiente de crenças, mas uma pessoa. Minha espiritualidade não deve ser vivida ou expressa de forma menos revolucionária. Não pergunte em que acredito. Mande um email, pegue uma condução, venha até minha casa, tome um café na minha mesa e aceite o meu abraço. Não devo esperar ato maior de fé, e não tenho fé maior para oferecer.


Paulo Brabo
Extraído do http://www.baciadasalmas.com/

10 Outubro, 2007

C.S. Lewis

Vivo nesta época de grandes e "brilhantes" administradores. Os maiores males já não acontecem nos perversos "redutos criminosos", que Dickens tanto apreciava descrever. Nem sequer nos hediondos campos de concentração. Nestes campos, apenas temos visão dos resultados de outros males que foram praticados antes, causando estes mesmos campos. A verdade, porem, é que os maiores males e crimes são criados, arquitetados e executados em escritórios bem limpos, atapetados, refrigerados e bem iluminados por homens de colarinho branco, unhas bem cuidadas; estão sempre bem barbeados e jamais precisam elevar seu tom de voz.


“Cartas do Inferno” C.S. Lewis

05 Outubro, 2007

Rubem Alves - Teologia.


Hoje faria tudo diferente.Começaria por informar meus leitores de que teologia é uma brincadeira, parecida com o jogo encantado das contas de vidro que Hermann Hesse descreveu, algo que se faz por puro prazer, sabendo que Deus está muito além de nossas tramas verbais.Teologia não é rede que se teça para apanhar Deus em suas malhas, porque Deus não é peixe, mas Vento que não se pode segurar...Teologia é rede que tecemos para nós mesmos, para nela deitar nosso corpo.Ela não vale pela verdade que possa dizer sobre Deus (seria necessário que fôssemos deuses para verificar tal verdade); ela vale pelo bem que faz à nossa carne.
Rubem Alves.